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SHANTALA

Uma abordagem preventiva para a saúde física e emocional do bebê 

RESUMO 

O texto mostra os benefícios que a Shantala - Massagem para Bebês - pode exercer no desenvolvimento da saúde física e emocional do bebê. Além de ser uma forma de comunicação acolhedora entre pais e filhos, a Shantala permite iniciar a experiência de atitudes básicas para uma educação saudável das crianças. 


(1) Qualquer parte deste texto pode ser reproduzido desde que citada a fonte: Alves, Ana Cristina. Shantala – uma abordagem preventiva para a saúde física e emocional do bebê. Santo André, 2007.  


INTRODUÇÃO
                  

Para começar a falar sobre a Shantala (1), recordo como foi o meu primeiro contato com essa técnica de massagem milenar e de origem indiana que despertou algo diferente em meu coração.     

Em 1992, no Curso de Técnicas Corporais no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, tive aulas com profissionais que apresentavam abordagens corporais e toques que facilitam o trabalho emocional. Uma delas foi a Shantala – Massagem para Bebês.                 

Em 1994, quando nasceu minha filha Beatriz, eu já tinha lido o livro “Shantala – Massagem para Bebês”, do Dr. Frédérick Leboyer, mas queria aprender a fazer com alguém que já tivesse a prática, que mostrasse a intensidade do toque e as minúcias dos movimentos. Foi quando fiz o curso com a psicóloga Eliana L. Pommé.                 

A partir daí, fazia massagem diariamente no meu bebê. Depois de aproximadamente três anos tive a Andréia e novamente vivi aqueles “momentos mágicos” de envolvimento com a minha filha caçula, que me pede massagem até hoje, com dez anos. Durante esse período, sempre achei que todas as mães deveriam fazer Shantala em seus filhos.                 

Mas foi na escola das crianças, conversando com as mães, participando de palestras para pais, sempre escutando queixas sobre comportamento dos filhos, que pensei que precisaria haver algo preventivo a se fazer pela saúde emocional das crianças e que talvez uma das formas fosse a Shantala, pois ela intensifica o vínculo mãe-bebê e possibilita à criança vivenciar um momento de segurança e tranqüilidade com a mãe. Observei que, apesar de todo amor que os pais têm pelos filhos, existe uma dificuldade de compreensão nesta comunicação.                 

Em 2007, comecei a pesquisar mais sobre a Shantala, fiz o curso de formação com a professora de yoga Maria de Lourdes Teixeira, que introduziu a técnica no Brasil em 1978 e vem trabalhando na divulgação para que o maior número de mães e bebês se beneficiem com ela.                 

Em maio do mesmo ano assisti a uma palestra do educador Luís Henrique Beust na escola Pueri Domus, Unidade Jardim, e fiquei encantada pela qualidade e pela forma como foi exposto o conteúdo, porque ele falava da importância do “olhar carinhoso” e do “toque amoroso” na educação das crianças, que é exatamente o que se trabalha na Shantala, nos primeiros meses de vida de um bebê.              

A palestra me levou a pensar o quanto a Shantala pode exercer uma função preventiva na saúde emocional do bebê e facilitar um relacionamento saudável entre pais e filhos.     

ORIGEM                  

Shantala é um tipo de massagem utilizada na Índia há milhares de anos, onde é passada de geração a geração pelas mães às suas filhas, para que estas possam realizá-la em seus próprios bebês. É um costume da própria cultura.                 

A técnica tem sua origem no yoga e algumas vezes recebeu a denominação de “Yoga do Bebê”. Foi trazida para o Ocidente em 1976, pelo obstetra francês Dr. Frédérick Leboyer, que, quando viu uma mãe massageando o filho em Calcutá, ficou fascinado com a sutileza e a harmonia de seus movimentos.

TÉCNICA                  

A Shantala consiste em uma massagem com toque firme, não é uma simples carícia. Deve ser aplicada a partir do primeiro mês de vida do bebê, de forma carinhosa e tranqüila, quando ocorrerá também uma comunicação intensa através do toque e do olhar.                 

Originalmente, no Oriente, a massagem era aplicada pela mãe, mas no Ocidente a técnica vem sendo aplicada também pelo pai, o que acaba facilitando o vínculo paterno de forma positiva. Sendo assim, no texto, o fato de utilizar a mãe como referência não impede que o pai esteja aplicando a Shantala na criança.                 

O ambiente deve ser calmo e propício a uma interação harmoniosa, com duração de aproximadamente 20 a 30 minutos e feita diariamente.                 

A mãe deve estar relaxada e sentada no chão, com as pernas esticadas, e a criança deitada sobre suas pernas, posição que facilita o contato visual e corporal entre ambas, além de permitir que a mãe esteja com as mãos livres para fazer a massagem.                 

É necessária a utilização de um óleo vegetal natural para facilitar os deslizamentos e as manobras que percorrem todo o corpo da criança, de frente e de costas.                  

Ao término da massagem, deve-se dar um banho de água morna, que possibilita o total relaxamento da criança e traz a lembrança da sensação do útero materno.

SAÚDE FÍSICA            

Fazendo a Shantala a partir do primeiro mês de vida da criança, a mãe e o bebê podem explorar profundamente o contato com o maior órgão do corpo humano – a pele – e com o sentido mais desenvolvido nessa fase – o tato –, uma vez que a pele já está preparada para receber o toque firme da massagem e o umbigo também já está cicatrizado.           

O contato físico transmite a sensação de segurança ao bebê, o que reduz a produção do hormônio cortisol. A menor quantidade deste hormônio permite que as células de defesa do organismo permaneçam um maior tempo em circulação, fortalecendo o sistema imunológico.           

A massagem atua na regulação do sistema digestivo, facilitando a eliminação de gases, prevenindo as cólicas e evitando a prisão de ventre.           

Os alongamentos que fazem parte da seqüência de movimentos ajudam a relaxar a musculatura, liberando bloqueios e tensões, o que permite à criança ter um sono mais tranqüilo.           

O relaxamento que ocorre durante a massagem favorece a amplitude e o ritmo tranqüilo da função respiratória.           

No momento em que o corpo do bebê é tocado, a criança desenvolve a percepção da extensão e dos limites corporais, o que também facilita o desenvolvimento psicomotor.           

A técnica pode ser vista como uma terapia ou como uma estimulação. Independentemente da forma, favorece um desenvolvimento físico e emocional saudável.

SAÚDE EMOCIONAL                  

O nascimento é uma das mais difíceis separações a ser vivida pelo ser humano: é quando se sai de uma ligação muito intensa – mãe-filho: o bebê está dentro de um útero que o nutre e o acolhe e, ao nascer, entra em contato com um universo imenso. A forma como esse processo ocorre poderá influenciar as separações e as “perdas” ao longo da vida do indivíduo.                 

Na primeira separação, que é o nascimento, há um rompimento emocional difícil, mas que pode ocorrer de forma segura e tranqüila para a mãe e para o bebê. Os pais deverão ser os facilitadores para que a criança consiga desenvolver autonomia para descobrir o universo e, para que isso se dê de forma harmoniosa, eles têm o que é fundamental: o amor incondicional. Porém, freqüentemente o papai e a mamãe desconhecem formas simples de demonstração desse amor, e as dificuldades próprias do dia-a-dia fazem com que eles se sintam perdidos e até impotentes diante das manifestações dos filhos.                 

Quando a criança chora, a primeira atitude dos pais é checar as possíveis causas de desconforto, que podem ser fome, calor, frio, necessidade de trocar fralda, alguma dor, enfim, uma série de situações concretas... Muitas vezes, porém, após essa verificação, o bebê continua demonstrando irritação. É quando os pais precisam compreender que a grande comunicação dos bebês é através do olhar e do toque, lembrando que bebês não dominam a fala.                 

Nesse momento cabe aos pais aprender com esse pequeno ser a explorar melhor esse tipo de linguagem, porque, se não entenderem o que está ocorrendo, podem ficar desesperados, transmitindo insegurança para a criança, que é contagiada pelo estado emocional deles.                 

À medida que os pais forem entrando em sintonia com o olhar da criança, tocando o bebê e fazendo com que o ambiente fique tranqüilo, provavelmente a situação ficará mais calma para ambos. Eles estarão nutrindo emocionalmente a criança, e esse “alimento” – toque e olhar – é essencial para o bom desenvolvimento físico e psicológico.                 

O ser humano precisa entrar em contato com o mundo de uma forma acolhedora e envolvente. Quanto maior o número de experiências satisfatórias vivenciadas desde a infância, maior será o sentimento de segurança e equilíbrio da pessoa. O contato de pais e filhos envolvidos com emoção é o que deve permanecer durante o crescimento das crianças.                 

Essa vivência não requer muito tempo, porém é necessário o conhecimento da situação por parte dos pais, empenho, apesar do cansaço ao fim de um dia de trabalho, e a criação do hábito de despender alguns minutos por dia aos filhos.  

EDUCAÇÃO DOS FILHOS                  

O educador Luís Henrique Beust, em seu livro Educar por Inteiro, fala da importância do amor e da sabedoria dos pais para educar os filhos. O sentimento de amor dos pais pelos filhos é algo sublime, de uma dimensão que não possibilita sequer explicação, porém a forma de demonstração desse amor requer um conhecimento por parte deles que pode ajudar muito na educação e no relacionamento saudável com os filhos.                 

O autor nos apresenta algumas formas de comunicação com as crianças, que seriam: o olhar carinhoso, o toque amoroso e a atenção concentrada.                  

O olhar do bebê é fascinante. Se o observarmos, veremos que ele fixa o olho nos olhos das pessoas, tentando compreender o que se quer dizer através desse contato. É a forma inicial de ele tentar entender o significado de cada objeto ou ação. E, se oferecermos imagens, ele tende a escolher algo que se identifique com o rosto humano, porque percebe que, por trás da imagem do rosto da mamãe e do papai, está quem atende às suas necessidades básicas, fornece alimento, transmite amor e carinho.                  

A experiência do olhar carinhoso possibilita o desenvolvimento de uma criança segura, com facilidade de manter contato visual agradável com as pessoas desde a infância. Aquele olho no olho que acontece quando encontramos nossos filhos é uma forma muito importante de demonstração de carinho e atenção exclusiva – é “alimento emocional”.                 

O toque transmite calma e acolhe a criança, além de já ser comprovado por alguns estudos que crianças tocadas com carinho liberam mais hormônio do crescimento (GH) e produzem menos cortisol (responsável pelo desgaste físico e emocional), facilitando o desenvolvimento físico. As crianças que não aprendem o toque amoroso tendem a ser violentas, a desconfiar do toque dos demais e a buscar sexualidade prematura no anseio pelo toque prazeroso.                 

A atenção concentrada consiste em vinte minutos que os pais destinem à interação diária com cada filho separadamente, dedicando-lhe atenção direta, individual e sincera. Alguns estudos mostram que isso é suficiente para a criança se sentir acolhida e amada, ou seja, um pouco mais “alimentada” emocionalmente. E tudo isso pode ser feito brincando, jogando, rolando no chão, fazendo qualquer atividade que envolva ambos espontaneamente, desde o primeiro ano de vida até a puberdade.          

As atividades se modificarão de acordo com o crescimento e o interesse da criança, mas esse tempo de dedicação exclusiva é fundamental para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Esse é um dos bons hábitos que devem ser criados na vida quando nos tornamos pais e mães. 

CONCLUSÃO                   

Com base nos conhecimentos da psicologia, nos estudos apresentados visando a educação integral das crianças, podemos observar que os pais, quando recebem informações consistentes, contribuem de forma significativa para o desenvolvimento de uma saúde emocional saudável.                  

É necessário que eles estejam conscientes dos seguintes pressupostos: que o bebê precisa ser acolhido com amor e compreensão para entrar em contato com o mundo de forma harmoniosa; que é necessário não só utilizar a comunicação através do olhar carinhoso e do toque amoroso, como também da criação do hábito da atenção concentrada.                  

A Shantala contempla essas atitudes desde o primeiro mês de vida e permite aos pais e ao bebê vivenciarem sentimentos de segurança e tranqüilidade juntos, o que atua de forma preventiva no desenvolvimento emocional da criança.                  

Na saúde física o toque sutil e carinhoso trabalha a musculatura e as articulações, promovendo o relaxamento, diminuindo as cólicas e facilitando o sono tranqüilo.                 

A Shantala é cativante pela sutileza e serenidade que transmite ao ser aplicada, mas além dessa beleza poética, o mais importante é quando os pais tomam consciência dos benefícios que a massagem pode trazer ao bebê, porque, à medida que eles entendem o que estão fazendo e colocam a intenção no ato, este é potencializado.  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  

BEUST, Luis Henrique. Educar por inteiro – capacitação de mães,pais e educadores para uma cultura de paz.  São Paulo: Inpaz /Anima Mundi, 2005. 

LEBOYER, Frédérick. Shantala – massagem para bebês:uma artetradicional.  4a.ed. São Paulo: Ground, 1992. 

MONTAGU, Ashley. Tocar – o significado humano da pele. São Paulo:  Summus, 1988. 

VIORST, Judith. Perdas Necessárias. 4ª. ed. São Paulo: Melhoramentos, 2005.

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